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TUDO QUE VOÇÊ QUERIA SABER SOBRE FLAUTA E SEMPRE TEVE MEDO DE PERGUNTAR.

por Heriberto Porto

Antes de iniciarmos uma conversa sobre a flauta, sua técnica, seu repertório, de maneira mais aprofundada gostaria de abordar, de maneira resumida e incompleta, umas curiosidades deste instrumento tão antigo e popular.
Uma pequena história
- A flauta é um aerófono, (nome engraçado para designar os instrumentos de sopro), presente em todas as culturas primitivas. É conhecida como o primeiro instrumento da humanidade, depois, é claro da voz e da percussão. Nas pinturas presentes nas cavernas vemos reproduções de flautas ou de apitos o que comprova a presença deste instrumento desde 60.000 anos antes de Cristo.
- A flauta tinha, como toda música primitiva, um papel mágico. Ela foi usada para acompanhar os rituais religiosos. Algumas culturas proibiam o uso das flautas pelas crianças e as mulheres sob pena de morte. No Xingu brasileiro temos ainda hoje um exemplo disto.
- As primeiras flautas eram feitas de tíbia de animal ou humano e só tinham um buraco Quer dizer era mais um apito do que uma flauta. O instrumento evoluiu com a humanidade e tomou várias formas, como a flauta de Pan, ou syrinx e deu origem aos outros instrumentos de sopro, como o oboé, o fagote, a flauta doce.
- A flauta doce teve seu momento de glória na renascença e era tocada em grupos. Os vários tamanhos de flautas correspondiam à classificação das vozes humanas: Soprano, Alto, Tenor e Baixo.
- A atual flauta transversal tem sua origem no “traverso” barroco e o mesmo vem de uma flauta renascentista. A grande diferença entre estes instrumentos é a forma cônica ou cilíndrica deles. A da renascença é cilíndrica e mais “desafinada” que a clássica cônica. Algumas “chaves’ já tinham aparecido no sec. XVII, para ajudar na execução e na afinação do instrumento considerado muito desafinado. O alemão Theobald Boehm é o inventor do sistema moderno da flauta transversal. Isso foi em 1832. O sistema dele foi aproveitado para melhorar também a clarineta, o oboé e o fagote. Esta mudança corresponde à era industrial quando era comum todo tipo de invento. Aí surgiu o Sax e outros tipos de flauta. O sistema Boehm foi o que, digamos “vingou”.

Flautistas famosos: Jean-Pierre Rampal, James Galway, Alain Marion, Frederico II da Prúsia, J.J.Quantz, J. Hotteterre, Paul Taffanel, Macel Moyse, Altamiro Carrilho, Pixinguinha, Toninho Carrasqueira e Celso Woltzenlogel.

Construtores Famosos: Powel, Haynes, Brannen- Cooper(USA), Muramatsu, Sankyo, Yamaha(Japão).

Flautas do Mundo:
Flautas de Pan (Europa Central, Grecia antiga- 600 ac.-, China-2225 ac.- e Andes), Ocarina, Shakuhachi (Japão), Flauta Nasal(Polinésia), Nëi ou Nay(Turkia e Oriente Médio, Madagarcar), Quena(Andes, Extremo Oriente, Africa Central)

A Flauta na Mitologia:
O Flautista de Hamelin, que tocando levou as crianças para se afogarem no rio. Krishna é um deus flautista indiano. O deus Grego Pan, apaixonado pela ninfa Syrinx, quando esta retornou ao fundo do rio, fez uma flauta de bambu para tocar sua tristeza. Na Ópera A Flauta mágica, de Mozart, o herói é salvo por uma flauta, mas o tema da ópera é bem mais complexo.

Aristóteles disse: “Nos escutamos uma canção na flauta com mais prazer do que na lira, pois o canto da voz humana e a flauta se misturam bem por causa da suas correspondência e simpatia, um e o outro se animam pelo vento”.

Plutarco escreveu e Messire Jacques Amyot traduziu em françês antigo em 1572: “...ela (a flauta) adoça os espíritos e penetra nos ouvidos nos ouvidos com um tão gracioso som, que ela leva uma tranquilidade e pacificação de todos os movimentos até dentro da alma”

“ Quando Krishna toca a flauta, o mundo inteiro se anima por simpatia: os rios param, as pedras brilham, os lotus tremem, gazelas, vacas, pássaros entram em êxtase: demônios e ascetas ficam fascinados”. (Segundo Bhãgavata- Purãna)